Ifá / Orumilá
Ifá ou Orumilá é o deus da adivinhação. Suas vestes são
brancas e ele usa o opelê para responder às perguntas no jôgo das adivinhas.
Leva sempre consigo um saco contendo côcos de dendê. Seu dia da semana é
quinta-feira.
Lendas
... Rivalidade entre Orumilá e Ossain
Orunmilá (Eleri Ipin), o testemunho do destino dos seres
humanos, está precisando de um criado. Ele vai ao mercado e, entre os escravos
que estão à venda ele escolhe Ossain. Manda-o desmatar o campo para preparar as
novas plantações. Entretanto, para desespêro de Orunmilá, Ossain volta, à
noite, sem ter cumprido sua ordem. Orunmilá o peergunta por que nada fez.
Ossain lhe responde:
"Todas essas plantas, estas folhas e estas ervas têm
virtudes. Elas não podem ser destruídas. Esta folha por exemplo, acalma as
dores de dentes; esta outra, protege contra os efeitos de trabalhos maléficos;
esta outra, ainda, cura a febre. Impossível, em verdade, arrancar plantas tão
necessárias à saúde e à felicidade!"
Orunmilá, impressionado, decide que Ossain deverá, a partir
de então, permanecer ao seu lado durante as sessões de adivinhação, para
guiá-lo na escolha dos remédios que deverá prescrever a seus consulentes. Uma
surda rivalidade se estabelece, pouco a pouco, entre esses deuses. Ossain,
sofrendo por ser mantido em submissão, se vangloriava de ser mais importante
que Orunmilá, pois ele possuía o poder da magia mortal e dos medicamentos que
preparava. Ossain chegou a declarar ao rei Ajalayé que ele viera ao mundo antes
de Orunmilá e, sendo mais antigo, tinha direito a seu respeito. O rei Ajalayé
envia, uma mensagem a Orunmilá. Ele quer saber, entre ele e Ossain, qual é o
mais importante dos dois. Orunmilá responde ser ele mais antigo que Ossain. O
rei decide submetê-los a uma prova. Ele os convoca, acompanhados de seus
primogênitos. Orunmilá chega com seu filho chamado Sacrifício. Ossain
apresenta-se com o seu, chamado Remédio. Os dois serão enterrados durante sete
dias. Aquele que sobreviver à provação e responder primeiro, com uma voz clara
e forte, ao chamado que será feito, no fim do último dia, verá seu pai ser
declarado vencedor.
Duas covas foram abertas. Sacrifício e Remédio foram
colocados dentro e as covas firam fechadas. Orunmilá, voltando para casa,
consultou Ifá. "Meu filho estará ainda vivo, passados os sete dias?"
Ifá aconselhou-o a oferecer muito ekuru - um prato saboroso, bolo de feijão,
pimenta, um galo, um bode, um pombo, um coelho e dezesseis búzios da costa.
Orunmilá preparou a oferenda. Ela foi colocada em quatro lugares: na estrada,
numa encruzilhada, diante de Exú e no mercado. Exú exerceu seu poder sobre o
coelho sacrificado. Este ressuscitou e cavou um buraco que foi terminar na cova
de Sacrifício, o filho de Orunmilá. Assim, o coelho levou alimento para ele.
Remédio, o filho de Ossain, nada tinha para comer. Mas ele
possuía alguns talismãs, que agiam sobre a terra e lhe permitiram, assim,
encontrar Sacrifício no fundo da sua cova. Remédio pede-lhe comida. Sacrifício
responde: " Ah! Como posso eu, filho de Orunmilá, dar-lhe comida, quando
há uma disputa em jogo? Tu não vês que assim causarás o sucesso de Ossain,
estando vivo para responder ao chamado que será feito no fim dos sete
dias?" Remédio insiste e promete a Sacrifício permanecer calado quando for
feito o apêlo. Sacrifício, então, dá de comer a Remédio.
E chegou o final da prova. Os juízes chamam o filho de
Ossain: "Remédio, Remédio, Remédio" Eles chamam em vão. Remédio não
responde. "Bem! Remédio está morto", concluem eles. Chamam, em
seguida, o filho de Orunmilá: "Sacrifício!" Imediatamente, escutam um
forte sim. Sacrifício está são e salvo! Remédio sai, em seguida, igualmente
vivo. Ossain pergunta ao filho a razão do seu silêncio, quando foi chamado o
seu nome. Remédio narra o pacto feito com Sacrifício. Comida contra silêncio!
Este pacto tornou-se provérbio: "Sacrifício não deixa
Remédio falar." Significando que Sacrifício é mais eficaz que Remédio.
Razão pela qual, Orunmilá tem uma posição mais elevada que Ossain.
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