Tocando o chão do deserto de meus olhos sorrio e com o
inofensivo veneno do escorpião, habitante e sobrevivente de lágrimas ácidas... Tento
me embriagar ou se entorpecer com o mesmo, porém minhas botas impermeáveis me
protege mesmo sem eu querer proteção nenhuma... E não consigo sentir seu olhar perdido
por entre as estradas, seu olhar que traça seus desejos absorventes... procuro por
você em qualquer vazio que sinto por dentro de mim... Sou o esquecimento dos
guerreiros que habitaram esse lugar sagrado, sou a caça amedrontada que foge do
coiote faminto... sou o coiote torpe e faminto, cego e insano pela fome em busca
de sua presa...
E o que sou de verdade?
Minhas ilusões reais que só eu consigo reconhecer! E assim em meu olhar vejo o olhar, vejo o
final e o não final dessa high way que nasci que vivi e hoje por incrível que
pareça ainda existe magia entre os corvinhos de assobios dos ventos, entre a
paisagem esquecidas de nossas
vontades... E cada ser vivente deste cenário é tão necessário, quanto à água
que jorra de seus olhos... (isso é só uma parada no vazio da estrada).
E quando a natureza local se manifesta... É só mais uma
prova que a magia ainda está lá guardada e escondida em cada rocha e a cada
santuário formado por chayenes antigos e outros povos guerreiros, que ainda
buscam em mim suas liberdades roubadas e violentadas...
Por homens letrados, fardados, sistêmicos e egoístas... Ainda
sinto em mim a inocência e a luta já covardemente ganha! Somos partes que
compõem a linha que faz parte do grande tecido (universo como um todo). E isso
foi roubado de nossos olhos e isso foi tirado quando ainda nem nascemos... E
hoje nesses dias modernos antigos caminho por entre ilusões vivas que me ferem
a alma... Só a solidão de muitos sacrificados me faz ver o farol no porto seguro
fantasma da alma de seus olhos... E caminho para ele, aliás, navego em águas
turvas de minha própria insanidade coletiva futura!
E aqueles que apodrecem em meu solo antes sagrado, hoje sangrando
me faz voltar a ser água em meio a montanhas distantes de meus sentidos e pesos
de olhares perdidos que vejo além da temperatura que ferve do solo de meu
coração deserto e montanhoso com cavernas abertas e esquecidas. Diante o
silêncio dos que um dia viveram belamente em meus recantos ensolarados de liberdade. E hoje só restam inscrições, sinalizações, poesias de mundo
perfeito, De antes, meus caçadores necessários e respeitosos com a grande mãe
natureza...
E o conforto era está bem e saciado de toda energia
existente em torno de suas contemporaneidades da não evolução... Pois isso era
a evolução...
Do metal, do petróleo e de outras coisas bastante preciosas aos olhos letrados, e o
mundo se tornou negro e mal cheiroso, cheio de progresso, porém a magia se foi... Meus povos
livres também, minhas milhares de etnias perderam suas características e
origem... E hoje para sobreviver caminho sobre restos dos restos da existência que meus olhos
não carnais conseguem ver e dessa forma me torno livre pelo menos por alguns
instantes mesmo que furtivo...
T.vesie 05-13-13







