Minha mãe...
Me chame de lama ou até mesmo de pedro.
Não! Mechamem de montes e serras,rios e selvas...
Meu pai...
O asfalto negro de meus olhos,ocaminho de volta pra casa,as
pequenas pedras encontradas nas calçadas,os chutes nas latas e os tropecos da
infancia...
Minha avó...
O choro-sorriso de criança por falta do alento...
Na cama onde pulei e molhei...
O colchão amarrado por um cinturão...
Meu avô...
Laranjas,braços fortes e olhos claros do dia.
Mas mesmo assim me
chamem de renato ou bonifacio...
Me esqueçam pois eu morri em algum dia...
As letras que escrevo não são minhas ,nem o corpo que habito
é meu.
Me chamem de lobo...assassino ou rato de cobra ou de
sapo,mas me vejam como gato...
Gato na noite escura de lua acesa...
Dos escravos dos soldados ou até mesmodas guerras...
Me chamem de cemitério,de ambulancia, de sinal ou de
carnaubal...
Me chamem de doutor ou de marginal, mas não! Não me deixem de
chamar
De xingar ,de me matar ou de me amar...
Aquele sol intransponente
Aquele mar revoltante
Aquele desejo ardente
Mas não esqueçam de me escarnecer pois eu sou o limbo da folha e
seus nervos de Aço de hércules...
T.vessie

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