E quando eu ando cada passo a frente já não sou mais eu no
movimento do tabuleiro do dia... A cada olhar, a cada sorriso, a cada
informação cedida ou passada não sou... sou mero recipiente que se enche e transborda quando necessário... E quando sou eu?
Eu sou o que ainda não vi...
O que ainda não senti...
Mas que se especula!
E afinal sou eu em mim?
O que é inédito no passado!
O que se reinventa no futuro!
O que não existe no presente!
A cada passo dado à frente não sou eu que estou ali presente
em mim...
Lembro-me da candeia que alumiava meus dias de trevas... Quando não se havia sol...
Lembro-me das orações proferidas junto ao resto de fogo que
existia em meu coração!
Há muito não se tinha inverno tão rápido, sagaz e
perverso... E apesar das forças que regem meu sistema planetário não sei como
ele chegou e nem sei também de sua partida e é atemporal... Não há limites, nem
datas previstas, nem séculos ou era que esteja livre dessa tempestade de corvos
valentes e famintos com ferrões de abelhas em suas garras, de caolhos que
choram seus próprios olhos, de vidas sem vida, de calendários ou fases lunares
ou solstícios mágicos enigmáticos...
Sou o que sou apenas no movimento do passo, a parti desse
ponto desconheço tais cargas que se aglomeram aos meus elétrons, átomos,
prótons e nêutrons enfim toda partícula que vagueia por mim em busca de
resposta...e tudo que retenho e repasso é apenas lei do universo o qual estamos
contidos...
T. vessié 26- o6- 13

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